24/02/2014

Não se desespere

Em 2002 surgiram na cabeça uns versos desconexos que viraram a música Não se desespere, aproveitada na banda Folha Doce durante o ano de 2003. A minha idéia na época era dar a ela uma sonoridade bem L7.

Conforme os anos passaram eu lembrava de Não se desespere e sempre achei que o caos que ela expressava tirou a minha capacidade de dar coerência ao que eu tentei escrever, então decidi deixá-la de lado.

Até que em fevereiro de 2014 eu estava brincando com um violão numa sala vazia com superfícies muito reflexivas e fiquei analisando a acústica do lugar enquanto gravava umas coisas aleatórias no celular. Acabei lembrando de Não se desespere e a maneira de aproveitar a acústica da sala sem embolar tudo na reverberação era fazer apenas o baixo no violão. Então eu reorganizei a letra na hora, inclusive eliminando a idéia de refrão e me desvinculei da referência punk/grunge da adolescência.

No fim das contas, de uma brincadeira com acústica e um celular estou agora com a impressão de ter terminado a música mais de 10 anos após ela ter surgido.




26/11/2013

Discos amigos

Eu já fiz essa analogia entre discos e amigos em algum lugar desse blog e justamente por isso me encantei tanto com este quadrinho de Grant Snider.

19/11/2013

O Fim da Alta Fidelidade - por Robert Levine em 2008

Em 2008, já fazendo minhas experimentações de gravação no Audacity, li o artigo da Rolling Stone abaixo, e mesmo sem compreender direito lembrei de uma tarde em 1998 quando eu coloquei o cd Spice das Spice Girls no som e me deitei no chão pra ouvir, com a cabeça logo a frente das caixas.

Eu já havia escutado muitas vezes as músicas daquele disco, porém gravado em fita k7, e a clareza do áudio do cd naquele momento de abstração adolescente proporcionou uma meditação musical diferenciada. Eu realmente não imaginava que aquela minha curiosidade de ouvir elementos separadamente nas musicas iria desencadear, com o passar dos anos, em meu interesse por produção musical.

Obviamente eu não sabia ainda dar nome a graves e agudos ou se estava ouvindo um baixo ou teclado, mas aquelas sensações foram essenciais para que eu começasse a perceber a diferença do som de cd, fita k7 e vinil, mídias que eu tinha acesso na época, e mais tarde questionasse naturalmente as características do mp3.

Hoje, relendo o artigo de Robert Levine, fiquei muito feliz por entender todo e cada termo, e estar familiarizada com detalhes de produção e nomes ali descritos, sinal de que, apesar de lenta, eu finalmente estou no caminho certo e seguindo meus interesses.

O fim da alta fidelidade – No auge da era do mp3, a qualidade do som fica cada vez pior
Por Robert Levine – Revista Rolling Stone – abril de 2008 - postagem original.

David Bendeth, produtor que trabalha com bandas como Hawthorne Heights e Paramore, sabe que os discos que faz acabam sendo ouvidos através de pequenas caixas de computador enquanto os fãs navegam na internet. Assim, ele não se surpreende quando as gravadoras pedem para que os engenheiros de masterização aumentem bastante o nível do som, de forma que até as partes mais suaves das músicas fiquem altas.

Na última década e meia, uma revolução na tecnologia de gravação mudou a forma como álbuns são produzidos, mixados e masterizados - quase sempre para pior. "Eles querem que os álbuns fiquem mais altos para conquistar a atenção [dos ouvintes]", diz Bendeth. Os engenheiros fazem isso através da aplicação da compressão dinâmica, que reduz a diferença entre os sons mais altos e os mais suaves em uma música. Como muitos de seus colegas de profissão, Bendeth acredita que utilizar esse efeito pode obscurecer detalhes sonoros, roubar a força emocional da música e deixar os ouvintes com o que os engenheiros chamam de "fadiga auditiva". "Acho que quase tudo hoje em dia é masterizado um pouco alto demais", diz Bendeth. "A indústria decidiu que vivemos uma competição por volume."

Produtores e engenheiros chamam isso de "a guerra do volume", e ela tem mudado o som de quase todos os álbuns de rock e pop. Mas o volume não é a única questão. Programas de computador como o Pro Tools (que servem para que os engenheiros de som manipulem o som do mesmo jeito que um Word edita texto) fazem com que os músicos pareçam perfeitos, de uma forma não natural. E os ouvintes de hoje consomem uma quantidade cada vez maior de música em MP3, formato que elimina muitos dos dados existentes no arquivo original do CD e pode deixar o som metálico ou oco. "Com todas as inovações técnicas, a música ficou pior", diz Donald Fagen, do Steely Dan, banda que produziu discos notórios pela alta qualidade sonora. "Deus está nos detalhes. Mas eles foram apagados."

A idéia de que os engenheiros fazem álbuns com o volume mais alto parece estranha: o volume não é controlado por um botão em seu aparelho de som? Sim, mas cada movimento naquele botão comanda uma escala de volume, do vocal abafado à caixa da bateria - e arrastar o som para o alto da escala faz com que a música fique mais alta. É a mesma técnica usada para que os comerciais de TV fiquem mais alto do que os programas. E isso captura a atenção do ouvinte - mas tem um custo. No ano passado, Bob Dylan declarou à Rolling Stone que os álbuns atuais "estão cheios de sons. Não há definição de nada, nem de vocal, nada, parece tudo... estática".

Em 2004, Mary Guibert, a mãe do músico norte-americano Jeff Buckley (falecido em 1997), escutou a fita original das gravações de Grace, o principal disco lançado por seu filho. "Estávamos ouvindo instrumentos que nunca dava para ouvir no disco lançado, como os pratos de mão ou o som das cordas da viola", ela se lembra. "Fiquei espantada porque era exatamente aquilo o que ele tinha ouvido no estúdio."

Para desapontamento de Guibert, a versão remasterizada de Grace, lançada em 2004, não conseguiu captar a maioria desses detalhes. Assim, no ano passado, quando organizou a coletâneaSo Real: Songs from Jeff Buckley, ela insistiu em ter um consultor independente para supervisionar o processo, além de um engenheiro de masterização, que iria reproduzir o som que Buckley fez no estúdio. "Agora, dá para ouvir os instrumentos distintos e o som da sala", ela diz, sobre o novo lançamento. "A compressão borra tudo."

Muita compressão pode ser ouvida como desordem. Em Whatever People Say I Am, That's What I'm Not, álbum de estréia do Arctic Monkeys, a banda parece que nunca dá uma pausa para tomar fôlego. Ao manter a intensidade constante, o disco deixa de mostrar os altos e baixos emocionais que normalmente existem em toda música. "Você perde a força do refrão, porque ele não fica mais alto que os versos", diz Bendeth. "Você perde a emoção."

O ouvido interno automaticamente comprime o excesso de volume para se proteger, assim nós associamos compressão com altura, conforme explica Daniel Levitin, professor de música e neurociência na Universidade McGill e autor do livro This Is Your Brain on Music: The Science of a Human Obsession (Esse é o Seu Cérebro com Música: A Ciência de uma Obsessão Humana). O cérebro humano se desenvolveu de forma a prestar especial atenção a barulhos altos, assim sons comprimidos inicialmente pareciam mais interessantes. Mas o efeito não dura. "O interesse na música vem da variação no ritmo, no timbre, no tom e na altura", diz Levitin. "Se você mantiver algo constante, pode se tornar monótono." Depois de alguns minutos, mostra a pesquisa, a altura constante começa a cansar o cérebro. Apesar de que poucos ouvintes percebam isso conscientemente, muitos sentem a necessidade de pular rapidamente para a próxima faixa.

Mas nem todos os arquivos de música digital são criados da mesma forma. Levitin diz que a maioria das pessoas sente que os MP3s ripados a uma taxa acima de 224 kbps são virtualmente indistinguíveis dos CDs (a loja virtual iTunes vende arquivos AAC tanto a 128 quanto a 256 kbps - o AAC é um pouco superior ao MP3 em taxas iguais. Já o portal Amazon.com vende MP3s a 256 kbps). Mesmo assim, "é como ir ao Museu do Louvre e, em vez da Mona Lisa, encontrar uma imagem de 10 megapixels dela", compara. "Sempre quero ouvir música da forma como os artistas querem que eu a ouça. Eu não apreciaria um quadro de Kandinsky usando um par de óculos escuros."
Como a tecnologia alterou a forma como os sons são gravados, ela também encorajou uma perfeição artificial na própria música. Fitas analógicas foram trocadas, na maioria dos estúdios, pelo Pro Tools. Edições que antes exigiam emendas nas fitas agora são facilmente realizadas com o clique de um mouse. Programas como o Auto-Tune podem melhorar a afinação de qualquer cantor; o Beat Detective faz o mesmo pelos bateristas.

"Se limitarmos a escala, isso se torna um assalto ao corpo", conta Tom Coyne, engenheiro de masterização que trabalhou com Mary J. Blige e Nas. "Quando se tem 15 anos, é a melhor coisa - parece uma martelada na cabeça. Mas quem quer ouvir isso em um disco inteiro?"

Para um ouvinte médio, uma escala dinâmica ampla cria uma sensação de espaço e facilita a audição dos instrumentos individualmente - como é possível perceber nos álbuns Modern Times, de Bob Dylan, e Not Too Late, de Norah Jones. "Quando as pessoas têm a coragem e a visão de fazer um disco dessa forma, sobem de nível", diz Joe Boyd, que produziu álbuns como o Fables of the Reconstruction, do R.E.M. "Parece algo mais quente, com um som tridimensional, diferente. Para mim, o som analógico afeta as pessoas de forma mais emocionante."

Produtores de rock e pop sempre usaram a compressão para equilibrar os sons de diferentes instrumentos e fazer a música soar mais animada. Já as estações de rádio usam a compressão por questões técnicas. Nos tempos dos LPs, havia um limite físico para a altura máxima dos níveis dos sons graves antes de a agulha começar a pular. Os CDs podem agüentar níveis superiores de altura, apesar de que eles, também, possuem um limite que os engenheiros chamam de "dB zero digital", acima do qual os sons começam a distorcer. Discos de pop raramente chegavam perto da marca dB zero antes da metade dos anos 90, quando os compressores e limitadores digitais - que cortam os picos das ondas sonoras - facilitaram a manipulação dos níveis de altura. Álbuns intensamente comprimidos, como (What's the Story) Morning Glory?, do Oasis (1995), colocaram um novo padrão: as canções se adaptaram a bares, carros e outros ambientes barulhentos. "Nos anos 70 e 80, o objetivo era chamar a atenção", diz Matt Serletic, ex-presidente da Virgin Records USA, que produziu discos do Matchbox Twenty e Collective Soul. "A música moderna deveria ser capaz de prender sua atenção." Rob Cavallo, que produziu American Idiot, do Green Day, e The Black Parade, do My Chemical Romance, complementa: "É um estilo que começou com o pós-grunge, para conseguir intensidade. A idéia era enfiar a cara do ouvinte na parede. Um CD para deixar aturdido".

Não é a nova música que está muito alta. Vários discos remasterizados sofrem do mesmo problema, já que os engenheiros aplicam a compressão para ajustá-los ao gosto moderno. A nova coletânea do Led Zeppelin, Mothership, está mais alta do que os álbuns originais da banda e Bendeth, que mixou o 30 #1 Hits de Elvis Presley, diz que o álbum ficou muito alto para o gosto dele quando foi masterizado. "Muitos audiófilos odeiam aquele disco", ele conta. "Mas as pessoas podem tocá-lo no carro e ele compete com o novo disco do Foo Fighters."

Assim como os cds acabaram com o vinil e com as fitas cassete, o MP3 e outros formatos digitais estão rapidamente derrubando os CDs como a forma mais popular de se ouvir música. Isso significa mais conveniência, mas som pior. Para criar um MP3, o computador copia a música de um CD e a comprime em um arquivo menor, excluindo a informação musical que o ouvido humano tem menos probabilidade de perceber. Muita informação eliminada está nos extremos do espectro, por isso o MP3 parece não ter nuances. O produtor Rob Cavallo diz que os MP3s não reproduzem bem a reverberação, e a falta de detalhes torna o som "quebrado". Sem sons graves suficientes, ele diz, "não há força. O som do bumbo da bateria diminui, assim como a forma como o alto-falante é empurrado quando o guitarrista toca um acorde mais forte".

Os produtores também começaram a alterar a forma como mixam os discos, para assim compensar as limitações do MP3. "Você precisa se preocupar em como as pessoas irão ouvir a música, e quase todo mundo está ouvindo MP3", diz o produtor Butch Vig, membro do Garbage e produtor do clássico Nevermind, do Nirvana. "Alguns dos efeitos se perdem. Por isso, você precisa exagerar as coisas de vez em quando." Outros produtores acreditam que CDs intensamente comprimidos melhoram o MP3, já que a altura da música irá compensar a falta de detalhes do formato digital.

"Dá para fazer qualquer um parecer profissional", diz Mitchell Froom, produtor que trabalhou com Elvis Costello e Los Lobos, entre outros. "O problema é que você tem algo que é profissional, mas não é distinto. Estava conversando com um baterista de estúdio e disse: 'Quando foi a última vez que você conseguiu descobrir quem era o baterista?' Dá para saber quem é Keith Moon ou John Bonham, mas agora todos soam iguais."

Então, a música está condenada a soar cada vez pior? A cons-ciência do problema está crescendo. O festival norte-americano South by Southwest recentemente apresentou um painel intitulado "Por que a música de hoje soa como merda?". Em agosto, um grupo de produtores e engenheiros fundou uma organização chamada Turn Me Up!, que propõe colocar avisos nos CDs que alcançarem alto padrão sonoro.

Mesmo assim, os ouvintes de CD parecem demonstrar pouco interesse em estéreos de alta qualidade, graças à popularização de sistemas home-theater de som surround. Além disso, formatos de disco de qualidade superior, como DVD-Audio e o SACD, se revelaram fracassos comerciais. Os produtores se lamentam, porque os ouvintes mais jovens cresceram tão acostumados à música comprimida e metálica dos MP3s que a batalha parece já estar perdida. "Os CDs têm um som melhor, mas ninguém está comprando mais", afirma Bendeth. "A era dos audiófilos já passou."

14/11/2013

Os Reflexos de um Reich Paralelo

Não é de hoje que a cegueira cristã fere direitos humanos, negando ou distorcendo a ciência.

Hitller era cristão e liderou uma guerra contra judeus, negros, homossexuais e outras minorias, porém judeus, negros, homossexuais e outras minorias nunca estiveram em guerra contra Hitler. Foi justo o que Hitler fez? A história mostra que Hitler estava errado, a ciência prova que Hitler estava errado e a nossa consciência humana reforça isso. O genocídio que Hitler promoveu acabou oficialmente em 1945, mas em 2013 muitos ignorantes e inconscientes ainda se baseiam em idéias deturpadas para reprimir coisas absolutamente inofensivas.

O problema não é a igreja e sim as pessoas que interpretam e pregam a palavra de Deus torta e limitadamente não para esclarecer, mas para controlar. Maria, mãe de Bella, é mais uma vitima do medo disseminado há séculos na sociedade. Um medo irracional, que aprisiona o que é livre e espalha a hipocrisia, a infelicidade e a neurose no mundo.

O budista Chagdud Rinpoche disse com razão que "se alguém precisa de religião para ser bom, essa pessoa não é boa, é um cão adestrado". Como pode um cão adestrado evoluir espiritualmente se ele não ouve sua natureza? A natureza é o que nos guia para a evolução e é por isso que não nego meus impulsos. Sinto, penso, reflito, questiono e com a certeza de estar me guiando pelo amor incondicional e pela empatia tomo minhas decisões.

Bella é daqueles raros reencontros que temos na vida e por mais que eu tenha tentado negar não consegui fugir por muito tempo do afeto que existe entre nós. Maria percebeu algo e me ligou aos prantos mandando que me afastasse. Fiquei longe o quanto pude, mas depois de meses de tortura e saudade parei de negar a atenção que Bella merecia, e respeitando o tempo e os limites dela decidi me reaproximar.

Quando Maria viu uma foto comprovando que não obedecia seu pedido, agiu com descontrole, além das habituais agressões psicológicas contra Bella. Transtornada de preocupação e sem poder fazer nada além de conversar e tentar acalmá-la, tive um impulso de alívio ligando a guitarra, o microfone e gravando o que viesse na cabeça.

Milhões de imagens, sensações e palavras passavam por minha cabeça e o resultado final foi Os Reflexos de um Reich Paralelo:



Dois dias depois Maria me ligou pedindo novamente que eu me afastasse. Implorei a ela que nos encontrássemos pessoalmente para que ela soubesse quem sou antes de julgar, mas foi enfática que não quer olhar na minha cara e entre outras coisas disse que Deus não queria "esta vida" para a filha dela.

Maria é Deus? Não. Preconceito é Deus? Não. Deus ensina a não julgar e amar incondicionalmente. Maria tem Deus dentro de si, como todo ser vivo, mas o medo de olhar e aceitar o que é diferente das regras ensinadas a ela parece ser maior. Será que Maria esta interpretando corretamente o que o Deus interior está dizendo? Será que os medos irracionais impedem que ela enxergue a verdade? Será que a irracionalidade de Maria a afasta da realidade? O livre arbítrio de Bella é uma ameaça? O amor é uma ameaça?

São muitas questões e uma certeza: o que o amor uniu o preconceito e o ódio não podem separar.


22/06/2013

Eras Glaciais - Ludov

Porque é tão longa a espera
Quando é tão breve a gente viver
Vi no cinzeiro o tempo que passou
Um dia inteiro

Um passa tempo até ela voltar
Revejo as grandes questões da história
A humanidade, guerra e paz,
Mas a saudade é demais

Não sirvo mais pra viver só
A solidão me ensinou um bocado mas foi só

Uma vida que passa é um leve roçar
No que leva para o mundo mudar
Milhões de anos, eras glaciais,
Vejo sem ela o frio que faz

Não sirvo mais pra viver só
A solidão me ensinou um bocado mas foi só


16/06/2013

Stranded - Lee Ranaldo

Tell me my love, tell me who it is you're thinking of.
I have come here for your heart, tell me what's a good place to start.

I long for your lips, which I hope to kiss.

I don't wanna throw a wrench in the works,
but this whole town here is full of jerks.
If a cloud is in your eye, I'll remove it from the sky.

I long for your touch. I miss it so much.

I'll be right there when you call.
You know I'd love you best of all.
Stranded again. Stranded my friend.

So I'll call you on the phone.
I won't take no, no, there's nobody home.
You take the air out of this room.
As you make your way from bloom to bloom.

I long for your lips, your arms and your hips.

10/06/2013

Bella

Essa música nasceu a partir de uma base que fiz no teclado pra testar compressão e equalização de graves e a novidade da produção foi a guitarra distorcida que gravei no banheiro. Aos poucos percebo que brincando mais na captação e inventando menos na mixagem o resultado final fica melhor.

Ela inicialmente se chamaria Pequena, mas na hora de gravar a voz veio Bella na mente e entendi que seria mais sincero e original. O início da letra veio na cabeça já com melodia, semanas atrás enquanto eu caminhava na rua, e para não esquecer gravei no celular.

Experimentando percebi que aquela melodia se encaixava na base do teclado e resolvi tentar produzir. Então vi que outra letra que havia iniciado meses antes, e que tratava do mesmo sentimento, também se encaixava e já tinha um refrão, que não casava na base grave mas que foi "resolvido" na distorção da guitarra.

O tempo de produção foi aproximadamente uma semana, pra ser mais precisa foram dois dias e seis noites, contando a brincadeira com o teclado, as gravações e o tempo mixando. Já o processo criativo da letra eu considero quatro meses.

Além da influência do Sonic Youth, que é assumida e absolutamente inevitável, quando terminei eu percebi algo de Lower Dens, banda que ouvia muito no final do ano passado. Gostaria de poder citar algo nacional com essa sonoridade que estou buscando mas não conheço até o momento. Talvez dê pra citar os sons instrumentais de Uma Pomba, que ouvi dia desses e me identifiquei.

Uma coisa interessante foi ter finalizado os arranjos apenas no processo de produção. Todas as músicas com letra que postei antes a gravação foi iniciada com tudo definido na minha cabeça. Desta vez eu misturei o processo criativo expontâneo das faixas instrumentais, que gravo na urgência em me expressar. No caso de Bella havia também uma urgência, mas ao mesmo tempo uma necessidade de extremo cuidado com o que eu estava fazendo.

E assim, mais uma vez o que me transborda flui em experimentação musical.



Bella

Bella
Que deu sentido a estranhos sonhos
Saiba seus lábios chamam os meus olhos
Não sei bem como mas vou te encontrar

Tudo bem
Se não houver chão a gente se encontra no ar
E fogo não há de faltar

Quero ler teus versos e transformar poema em canção
Trilha sonora de um filme que não sabemos o final
Mas este roteiro vem de outras vidas
Esta é a única explicação

Bella
Me trouxe o mais intenso desse mundo
E me fascina a cada segundo
O nosso amor, eu sei, tem que vingar

Não provei
Mas tudo o que sinto é saudade
E o que tiver que ficar o tempo não vai apagar

Quero ler teus versos e transformar poema em canção
Trilha sonora de um filme que não sabemos o final
Mas este roteiro vem de outras vidas
Esta é a única explicação

15/05/2013

"Do nosso amor a gente é que sabe, Pequena"




O amor e a inspiração são coisas que tem vontade própria e definitivamente não controlamos a hora e intensidade que surgem. Não cabe disciplina, não há previsão e nem explicação. Mas é preciso controlar a situação pra não permitir que a ansiedade estrague a obra que está por vir. Estou controlando a situação de mãos dadas com quem amo. Estou transbordando e preciso transformar isso em palavras, até encontrar um caminho, pois a saudade corrói mas não vai matar.

Sentimentos bons não podem ter o fluxo interrompido. O amor precisa fluir pois não pode ser dissipado. O amor precisa ter um sentido e para isso vivenciado. O amor foge da compreensão superficial a qual as pessoas estão condicionadas. Este é o reencontro de duas almas que por essência fogem da superficialidade através da introspecção, temos instinto e afeto claros e serenos, mas as amarras nos angustiam, nos agonizam, desesperam.

Talvez seja a hora de terminar aquela nova música, como se grava-la e joga-la aos ventos ajudasse a resolver o ciclo de sufoco e inércia do qual ela trata e abrir espaço para a coragem e solução. Preciso de simplicidade e liberdade extremas de criação neste momento, um período de limpeza de referências e efervescência de sentimentos para fazer algo diferente do que fiz até agora, mas que reflita o processo de evolução, tanto musical quanto espiritual e pessoal, no qual estou inserida.

No sufoco ou no sossego eu confio no que sinto e estarei em pé. Não há dúvidas no corpo nem na alma, o coração e os sentidos estão em ordem, mas a razão ainda me pede calma, e não é preciso muito esforço pra ter fé e coragem pois tudo dentro e ao redor diz que o melhor está por vir.

03/05/2013

Subentendido



Uma salva de palmas para essa música e sobretudo para o piti do Lulu Santos ao final, que ao meu ver é absolutamente coerente.

No mesmo contexto, umas palavras que me saltaram dos dedos em 11 de fevereiro de 2013:

"Acredito que todo mundo já se distraiu vez ou outra com um amor platônico. Você se flagra pensando em alguém inalcansável, imaginando uma situação impossível e pronto, lá está seu platonismo, dure ele semanas, meses ou segundos.

Amores platônicos tem lá suas vantagens. Você nunca irá se decepcionar ou ser traída, nunca irá sentir aquele mal hálito matinal ou outros odores e defeitos tão humanos. Você se encanta pelos gestos, pelas idéias, pelo olhar e pela voz daquele alguém e sentir aquele carinho dentro de si já basta.

Mas e se de repente você perceber que aqueles flashes platônicos que você evitou alimentar eram recíprocos?

Vocês se encontram pela vida e descobrem que o caminho de vocês é o mesmo. A empatia os aproxima de uma forma incomum, vocês se tornam amigos e quando percebem a reciprocidade já foi dita com todas as palavras.

Se veem então imersos naquele afeto reprimido inicialmente. Vocês se querem tanto e estão tão eufóricos por serem correspondidos que se esquecem que o que outrora foi platônico ainda é proibido."